Monday, December 28, 2009




Quem você é? O que faz tua identidade? Apenas dorme, caga e fode.

Sunday, December 13, 2009

5 dias

No meio da calçada, perdido no imenso do litoral, um pequeno corredor de paredes de cerca viva se fazia de entrada. Encontrava-se espremida entre dois grandes prédio e, a pesar de simples parecia aconchegante. No entanto o corredor, de alguns poucos metros, parecia te transportar para outro mundo.

O saguão era quente e abafado, todo ele com um ar de velho. A iluminação lhe dava um tom sombrio e os ventiladores preguiçosos não davam conta do pé direito duplo. Aqueles móveis pareciam não ter visto qualquer movimento há muito tempo, que não fosse o efeito que fazia as pás do ventilador cortando os feixes de luz. A sala tinha um formato estranho e sua parede dos fundoes parecia acabar antes do esperado. O cheiro de maresia vindo de fora parecia ser a única coisa que não lhe deixava perder contato com a realidade.

Um atendende negro, gordinho de cabelo raspado se anuncia atrás do balcão. Estava vestindo o uniforme do hotel: uma camisa social de manga curta de amarelo que não se sabia se estava desbotado de velho ou se era sua cor original. Tinha um jeito atrapalhado e gestos sincopassados. Era excessivamente educado e seu buço húmido de pequenas gotículas fazia pensar que estava fazendo um esforço tremendo para escolher as palavras, lembrar do título de senhor e se mexe pela bancada de fichas de papeis e chaves.

O elevador parecia um aposento, seu painel paceria ter sido arranjado na parede de modo precário e não parecia lhe pertencer. Era barulhento, um barulho cansado mas apressado. Suas luzes eram quase ofuscantes e vários números de andares não ascendiam no seu sobe e desce. Nunca falhou, nem nunca abriu as portas sem que estivesse totalmente alinhado com o andar que seu cliente apertasse.

O corredor de acesso aos quartos era em forma de ferradura, com um vão no meio de onde era possível ver através de todos os sete andes a baixo. O fundo não parecia dar em nenhum lugar identificável do saguão de entrada. Olhando para cima era possível ver uma claraboia fosca de anos de sol e chuva. Não havia sinais de vida em qualquer outro andar, escurecidos por causa do mecanismo de sensor de movimento para acendimento das luzes. Eram quatro quartos por andar.

Meu quarto era o segundo a esquerda. Duas voltas de chave revelaram um quarto muito grande, aumentado pela escassez de mobília. A vista era para dentro: apenas lajes e outros prédios igualmente velhos. O aparelho de ar-condicionado era antigo, dos que há muito não se vê mais a venda. O disjuntor estava quebrado e era preciso tentar ligá-lo várias vezes até que fizesse uma raísca e o ronco do aparelho soasse. Seu ar era pouco mais que um sobro e tanto barulho não condizia com o frio que produzia. Abrindo o painel de ajustes era possível descobrir todos os botões arrancados (não que fossem funcionar se estivessem lá, quando não pela velhice, pela ferrugem) e teias de aranha. Ele não fazia nem frente aos metros quadrados do quarto.

O chão era de carpete e haviam várias manchas que nos faziam imaginar sua origem. E sua data. Havia interruptores que não pareciam fazer nada pelas paredes e o armário tinha várias portas. Não me atrevi a abri-lo. O banheiro tinha uma basculante que dava para o corredor dos quartos o que não era realmente um problema já que parecia o único hóspede do hotel. Seu chuveiro era sobre uma balheira de cerâmica e era posicionado de forma que a água batia em sua cabeceira quando ligado fraco ou quando era preciso se aproximar dele. Uma cortina evitava, o mais que possível, a água espirrar para fora.