Não, não é mais um livro da Jane Austin, é apenas o pensamento alto de alguém tentando pôr as idéias em ordem. As idéias são sobre homofobia.
Primeiro vem o problema do que é a homossexualismo. Existem duas coisas aqui: a condição e o comportamento. Uma pessoa é (nasce ou se torna, essa não é a questão) homossexual e está exercendo essa condição perenemente. O comportamento é a externalização da condição de homossexual, os atos homossexuais. Isso significa que alguém na condição de homossexual pode nunca apresentar comportamento de homossexual. Falo de comportamento aqui não é usar rosa, falar fino, vestir boás de pena [1] e sim andar de mãos dadas, beijar, transar com outro do mesmo sexo [2].
Antes de tudo existem pessoas que não gostam de gays porque no geral eles falam mal pelas costas, são muito promíscuos ou qualquer outro motivo. Bom, isso é generalizar, dizendo que se alguém é gay ele provavelmente deve ser como os demais gays que eu já conheci. E é exatamente isso a definição de preconceito. Não tenho nada contra pré-conceitos, quando a gente não conhece nada de alguém julga ele pelas nossas experiências passadas, pré-concebe quem a pessoa é. Acho que isso é natural, todos fazemos juizo de valor sobre tudo a toda hora. Isso em nada se associa com o fato de se ser homossexual ou não. Poderia achar que todo playboy é ignorante, isso não significa que eu seja "playboy-fóbico", é apenas um pré-conceito que tenho baseado em experiências passadas. Portanto essa questão transcende a homofobia e em nada tem a ver com o fato da pessoa ser homossexual.
O primeiro ponto a questionar são aqueles cuja discriminação advem exclusivamente da condição de homossexual sem se embasar em comportamentos (gays ou esteriotipados como gay). É o tipo de pessoa que nega um amigo de infância ao descobrir que ele é gay, tendo sido desde sempre. Nessa ilustração poderiam ser um católico e um pagão, um comunista e um capitalista, um feminista e um machista, etc. Aqui a idéia de que um outro pensar de um jeito é motivo suficiente para afastar-se dele. Acho o ponto mais radical de todos, irracional até. Nesse grupo muitos acham que homossexualismo é uma doença ou deveria ser crime. Estes educam seus filhos perpetuando esse pensamento e morreriam de desgosto se soubessem que seu filho é homossexual.
A partir do momento que há o fator comportamento (e ai já há algo tangível) podem acontecer dois casos. Primeiro: o comportamento pode ser algo que incomode em si, quando o problema não é a condição de gay e sim o comportamento gay. Nesse caso um heterossexual que haja do mesmo modo também deve incomodá-lo, do mesmo jeito que um gay que nunca tenha tal comportamento não deve incomodá-lo. De novo essa não é uma questão de homofobia, não tendo nada a ver com a pessoa ser homossexual e sim com o comportamento, seja ele qual for. Segundo: o comportamento pode servir apenas de denunciante da condição de um homossexual. Ou seja, o incômodo não vem do comportamento em si, mas de saber -- indicado pelo comportamento do indivíduo -- que ele é homossexual. Na verdade esse caso recai no caso do parágrafo passado.
Vejo ainda que há casos em que o comportamento não seja a revelação do homossexualismo, mas sua lembrança. Ou seja, a pessoa sabe que o outro é gay, mas enquanto ele hajir como hetero, não lhe incomoda. É uma distinção tênue a ser feita no segundo caso. Nesse grupo estão os que argumentam que têm amigos homossexuais mas que não aguentam ver esses amigos externalizam sua condição em comportamentos como andar de mãos dadas, beijo, etc [3].
A luta dos homossexuais é muito recente ainda. Diferentemente do movimento de afirmação negra, que há muito já tomou corpo e vem mudando a cultura racista. E mesmo assim existe ainda hoje muito racismo. Acho que é uma questão de tempo para os homossexuais terem também seu espaço, mas a exemplo dos negros, terão que lutar muito, contra toda uma cultura. Sempre vão haver os que achem negros inferiores e homossexuais doentes, não acho que todos devam pensar igual, mas devem pensar. Não quero convencer ninguém só como penso .
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1) Isso é esteriótipo de gays assim como usar sempre calça, botas, cabelo curto é esteriótipo de lésbica. São comportamentos assiados a gays, não comportamentos gays propriamente dito.
2) Aqui pus o que nossa cultura tem como comportamento esperado entre casais heterosexuais. Um homem andar de mãos dadas com outro homem por exemplo é normal em algumas culturas assim como talvez dois homens se abraçando seja controverso em outras. Aqui entenda comportamento que culturalmente apenas é aceitável entre heterossexuais.
3) Um extremo seria dizer se incomodar com um casal homossexual fazendo sexo é homofobia. Como estamos lidando com valores (que vai do indivíduo, da cultura, educação, etc) devemos sempre ter um trato comparativo ao invés de absoluto. Você também não se incomodaria em ver um casal hetero fazendo sexo? Seus pais fazendo sexo? Portanto não achar aprasível a visão de um casal homossexual transando não é homofobia pois, de novo, transcende a homofobia. Agora, você acha um casal homossexual beijando nojento, mas não um casal hetero?
o princípio do meio do fim
5 years ago
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