Parado na entrada da universidade, esperando carona, olhada o ir e vir de pessoas. Chovia, uma chuva nem muito forte nem muito fraca, daquelas boas de se ouvir na cama à noite.
Via as pessoas saindo para o céu aberto, em bando. O tilintar de metais lhe soava como um exército de máquinas e o barulho do estender de tecidos, uma revoada de pássaros. Eram todos iguais, não tinham rostos, apenas estampas e formatos pouco variados - a maioria preto. Quase todos sozinhos; alguns aos pares, apertados de uma forma tão impessoal que pareciam estranhos num convívio forçado.
Praticamente todos com uma das hastes quebrada, uns tão pequenos levando duas pessoas quando mal cobririam uma, outros tão grandes que ao invés de serem carregados pareciam sim carregar seus donos. Todos estranhos nas mãos daquelas pessoas, os nunca vistos que surgem ao bel prazer do tempo, os chapéus que ninguém desfila.