Sempre achei o darwinismo algo meio irreal. Não que não credite - acho que tem muito sentido - só me parece algo de outro mundo. Esse negócio de fósseis com milhões de anos e tal, a evolução dos primatas aos hominídeos e ao homem que nem naquela figura que todos vimos no ensino fundamental. Enfim...
O homem possui algo único, em proporção pelo menos: a cultura. A cultura muda o ambiente em que estamos inseridos e fatores puramente biotípicos não são mais relevantes. A capacidade cognitiva do homem lhe permitiu superar o que antes seria uma desvantagem evolutiva, como, por exemplo, a miopia. Hoje vamos a um oculista e temos nossa visão de volta. Da mesma forma se temos baixa tolerência a frio compramos um ar-condicionado ou se não somos capazes de falar podemos nos usar da escrita. O que acaba ocorrendo é que nos tornamos um produto de nossa cultura, um produto da tecnologia, da medicina, da fala, etc.
Por outro lado a cultura muda também os nossos valores e crenças criando um novo critério de seleção, o psíquico. Por exemplo, o esteriótipo da mulher magra, quando na idade antiga era justamente a mulher mais gordinha que era bem vista, o grande valor dado ao dinheiro, a admiração de uns pela inteligência. Assim só as mudanças ambientais advindas de mudanças culturais se tornam fator decisivo para a seleção.
Se o ambiente seleciona os mais capazes, nós próprios somos agentes do ambiente. Então mudamos o ambiente e o ambiente nos muda. No final nos contruimos enquanto seres humanos em um ambiente sintético à parte do ambiente natural. Criamos um ambiente no qual os mais capazes se destacam, esses por sua vez mudam o ambiente e o ciclo se repete. É uma evolução feita em nossos próprios termos, nem que inconscientemente.
o princípio do meio do fim
5 years ago

1 comment:
Eu já acho o darwinismo algo bastante fora da esfera egoísta do homem. O fato de dividirmos funções vitais básicas com seres "menos evoluídos" do que nós é importante pra refrear nosso instinto de isolação. Eu tento explicar isso de alguma forma que não envolva "existir vida inteligente capaz de nos chamar a atenção", que claro, a maioria das pessoas associa imediatamente com "ET's".
Enfim, o que quero dizer é que, mais e mais, temos um senso coletivo de egoísmo. É até impalpável esse período que eu escrevi acima, mas é o degrau da evolução. Nossas funções básicas, neurônios motores se especializando e surgindo em maior número, capazes agora de memorizar informação e realizar incríveis feitos de processamento, inferência e coordenação. Da menina dançando até o cientista quase imóvel na cadeira de rodas, todos estamos no mesmo nível de egocentrismo exagerado, ou do lado que não vê nada disso, ou do lado que abomina esta tendência, porque "não é possível que NÓS sejamos assim", ou as que aceitam isso, mas também são parte da coisa... por que? Porque por enquanto essa linha de evolução dá certo. Um belo dia condividirão este planeta pessoas de hoje e pessoas de uma nova era, com funções subjetivas diferentes, talvez capazes de pensar fora do mundo. Fora da Terra, do que é da Terra e de quem está nela.
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